intermittent fasting

Um estudo recente analisou se o jejum intermitente duas vezes por semana traz benefícios para a saúde em relação a dietas que restringem o consumo de calorias.

O excesso de peso é considerado um fator de risco para o desenvolvimento de doenças como a diabetes e a doença cardiovascular. A perda de peso pode melhorar os parâmetros cardiometabólicos e reduzir este risco. Os benefícios de estratégias para a perda de peso como dietas de restrição calórica contínua e intermitente foram estudados mas não é claro que estas melhorem os níveis de metabolismo da glicose e lípidos após as refeições (níveis pós-prandiais). Apesar dos parâmetros cardiometabólicos serem muitas vezes avaliados após um período de jejum, os níveis pós-prandiais podem providenciar indicadores de risco mais realistas e fiáveis.

Investigadores no Reino Unido compararam os efeitos do jejum intermitente e da restrição calórica contínua nos níveis do metabolismo de lípidos e glicose pós-prandiais em 48 indivíduos com excesso de peso/obesos designados aleatoriamente a uma dieta de restrição calórica intermitente ou contínua. Os participantes a quem foi atribuída a dieta de restrição calórica intermitente consumiram uma dieta baixa em calorias durante dois dias seguidos em cada semana, enquanto que os participantes a quem foi atribuída a dieta de restrição calórica contínua consumiram uma dieta restrita em calorias todos os dias.

Os investigadores analisaram os parâmetros cardiometabólicos dos participantes após uma refeição (pós-prandial) no início do estudo e quando os participantes alcançaram a redução do peso corporal de 5%. Os investigadores colocaram a hipótese de que as melhorias pós-prandiais a nível do metabolismo dos lípidos seriam mais visíveis no grupo da dieta de restrição calórica intermitente. Os resultados foram recentemente publicados no British Journal of Nutrition.

Vinte e sete participantes alcançaram o objetivo da redução de peso corporal por 5%. Os participantes que restringiram a ingestão calórica de forma intermitente alcançaram esta meta numa média de 59 dias enquanto que o grupo de restrição calórica contínua demorou cerca de 73 dias para atingir tal objetivo. Estes resultados não foram, no entanto, estatisticamente significativos. Do mesmo modo, não houve diferenças significativas entre os grupos a nível da composição corporal nem da resposta da glicose pós-prandial.

Os investigadores descobriram também que os níveis de insulina pós-prandiais reduziram em ambos os grupos, e que os níveis do peptídeo C, uma molécula pró-insulínica, e dos triglicéridos, nível do metabolismo dos lípidos, eram mais baixos no grupo de restrição calórica intermitente quando comparados com o grupo de restrição calórica contínua. Os participantes do grupo de restrição calórica intermitente demonstraram também reduções significativas da pressão arterial sistólica em comparação com os participantes do grupo de restrição calórica contínua.

Em geral, os resultados deste estudo sugerem que o jejum intermitente através de dietas hipocalóricas apenas duas vezes por semana pode melhorar pelo menos alguns níveis de metabolismo de lípidos e glicose pós-prandiais. A redução dos triglicéridos pós-prandiais em indivíduos que restringem a ingestão de calorias intermitentemente pode ser particularmente significativa pois os triglicéridos foram associados à doença cardiovascular em estudos anteriores. Para além disso, este parâmetro reduziu cerca de 40% sugerindo benefícios clínicos relevantes da restrição calórica intermitente.

Estudos adicionais com amostras mais amplas serão necessários a fim de comprovar os resultados obtidos e investigar os mecanismos através dos quais a restrição calórica intermitente beneficia os parâmetros clínicos.

Escrito por Suzanne M. Robertson, Ph.D.
Traduzido por Ângela Carvalho, PgC

Referências:

Antoni, Rona, Kelly L. Johnston, Adam Collins, and Margaret Robertson. “Intermittent versus continuous energy restriction: differential effects on postprandial glucose and lipid metabolism following matched weight-loss in overweight/obese subjects.” British Journal of Nutrition (2018).

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