pilates

Um estudo recente investigou a influência do treino abdominal, ou pilates, na performance e consumo máximo de oxigénio de corredores profissionais.

 

O corpo humano necessita de oxigénio para executar as mais variadas tarefas e o consumo máximo de oxigénio varia de indivíduo para indivíduo. Para corredores profissionais, a capacidade de correr distâncias longas requer que um indivíduo tenha um consumo máximo de oxigénio elevado, assim como a capacidade de manter este consumo máximo durante algum tempo. Este é definido pela quantidade de oxigénio necessária para viajar uma distância específica e assume que o indivíduo corre a uma intensidade mais baixa que o seu potencial. Estudos sugerem que determinados tipos de exercício físico podem ajudar a reduzir o consumo máximo de oxigénio, aumentando a performance. Um estudo levado a cabo no Brasil e publicado pela Public Library of Science testa os efeitos do treino abdominal no consumo máximo de oxigénio e na performance geral de corredores profissionais.

Foram recrutados 32 corredores profissionais para o estudo e estes, por sua vez, foram distribuídos aleatoriamente por grupos de treino diferenciado: um grupo de 16 indivíduos praticou pilates, enquanto que os restantes 16 fizeram parte do grupo de controle. Ambos os grupos praticaram exercício físico regular adequado para corredores, sendo que o grupo de pilates participou em simultâneo numa sessão de treino de pilates que durou 12 semanas. Os investigadores estudaram as variáveis neuromusculares, o metabolismo e analisaram a cinemática dos corredores, a quem foi pedido que executasse um exercício de corrida em duas velocidades distintas antes e depois do programa de treino.

Não houve distinções significativas entre o grupo de controle e o grupo de pilates antes do início do programa de treino de 12 semanas. As variáveis estudadas foram o consumo máximo de oxigénio e o custo metabólico aos 10km/h e aos 12km/h. Ambos os grupos não apresentaram quaisquer distinções significativas antes do início do programa de treino.

Após as 12 semanas de treino, foi verificada uma melhoria significativa da performance dos corredores que participaram no treino de pilates em comparação com o grupo de controle. Houve também uma melhoria a nível do custo metabólico do grupo de pilates em relação ao grupo de controle. Os investigadores notaram também uma atividade eletromiográfica mais baixa da musculatura postural do grupo de pilates.

Os resultados sugerem que o treino de pilates é benéfico para a melhoria da performance de corredores profissionais. Este é o primeiro estudo a analisar os efeitos do treino de pilates na execução de corrida. Os resultados obtidos são portanto extremamente valiosos para o desenvolvimento de treinos focados em determinados músculos para os mais variados tipos de atletas. Os programas de fisioterapia desenvolvidos para atletas poderão também utilizar a informação obtida através deste estudo para recomendar exercícios para melhorar a performance e minimizar os riscos de lesões. Poderão ser implementados programas de treino especializados para otimizar a atividade muscular e reforçar a saúde em geral de atletas participantes em atividades físicas vigorosas. Este foco em programas de treino representará uma abordagem pro-ativa à saúde e performance de atletas, ao invés de uma abordagem reativa.

 

Escrito por Shrishti Ahuja, HBSc
Traduzido por Ângela Carvalho, PgC

Referências:

Finatto, P., Silva, E. S., Okamura, A. B., Almada, B. P., Oliveira, H. B., & Peyré-Tartaruga, L. A. (2018). Pilates training improves 5-km run performance by changing metabolic cost and muscle activity in trained runners. Plos One, 13(3). doi:10.1371/journal.pone.0194057

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