mood swings

Um estudo analisou o período da menopausa em mulheres que sofrem de distúrbio bipolar, em particular se as alterações de humor são mais acentuadas nas mulheres com perturbações de humor.

A menopausa é uma fase muito importante na vida de uma mulher que marca o final do ciclo menstrual. Como resultado das flutuações hormonais existem inúmeros efeitos secundários adversos que marcam esta fase de transição para a meia-idade. Transformações a nível do ciclo reprodutivo podem provocar alterações de humor sejam elas pré-menstruais, pós-parto ou da menopausa. No entanto, alterações de humor que vão da paranoia à depressão são marcas de distúrbio bipolar. Os investigadores questionaram-se se mulheres que sofrem de distúrbio bipolar são afetadas pelas alterações de humor associadas à menopausa de forma mais severa.

Um estudo conduzido na Austrália e publicado na BMC Women’s Health, realizou entrevistas semi-estruturadas a 15 mulheres com distúrbio bipolar. Estas tinham idades entre os 46 e os 60 anos, na perimenopausa (o período anterior à menopausa), na menopausa ou após a menopausa. As entrevistas incluíam questões abertas que permitiam às participantes a elaboração de um tópico do seu interesse. A atenção dos investigadores recaiu sobre a experiência da menopausa destas mulheres, se os sintomas bipolares eram de alguma forma agravados, e que tipo de tratamentos foram prescritos.

Estas mulheres mostraram experiências singulares mas algumas semelhanças foram notadas: pensamentos suicidas, alterações de humor de menor duração mas de maior intensidade, auto-imagem negativa, instabilidade e incerteza. Em específico, uma mulher descreveu a menopausa como a perda de controlo do corpo e o distúrbio bipolar como falta de controlo da mente, o que fez com que senti-se a perda de controlo absoluto de si mesma. Algumas mulheres relataram também afrontamentos durante a noite que afetaram o seu sono e agravaram os sintomas bipolares.

Diferenças culturais ficaram marcadas quando uma mulher indígena australiana explicou que culturalmente a menopausa é vista como a transição para a comunidade anciã que recebe grande respeito por parte da juventude. Psicologicamente, para esta mulher a menopausa é uma experiência positiva, enquanto que outras mulheres associam a menopausa a acontecimentos negativos tais como o divórcio.

Em relação ao tratamento, 14 mulheres estavam medicadas. Algumas escolheram terapia comportamental cognitiva e outras afirmaram ter recebido terapia de substituição hormonal. Os tratamentos escolhidos eram de caráter pessoal e conforme a assunção de que os sintomas estavam relacionados com a menopausa, com o distúrbio bipolar ou uma transição natural da vida.

Os dados recolhidos foram na sua totalidade de natureza qualitativa, o que significa que não passam de narrações de experiências pessoais de 15 mulheres. A amostra era também muito reduzida e portanto os resultados não podem ser generalizados. Investigações futuras mostram-se necessárias. A comparação de mulheres bipolares e mulheres não-bipolares e até mesmo de outros distúrbios e doenças mentais e a sua influência nos sintomas da menopausa. Os investigadores apontam para o fato da menopausa não ser apenas uma mudança biomédica mas também uma experiência psicológica, social e cultural que marca cada mulher de forma única. É por esta razão que a abordagem de diferentes grupos culturais deve ser também considerada.

Em conclusão, todas as mulheres atravessam a menopausa de forma diferente. No entanto, mulheres que sofrem de distúrbio bipolar correm possivelmente um maior risco de alterações de humor exacerbadas. Com isto em mente é necessário providenciar o apoio necessário para este problema tão complexo e realizar investigações acerca da ligação existente entre o ciclo reprodutivo feminino e a saúde mental das mulheres.

Escrito por Elena Popadic
Traduzido por Ângela Carvalho, PgC

Referências: Perich, T., Ussher, J., & Parton, C. (2017). “Is it menopause or bipolar?”: a qualitative study of the experience of menopause for women with bipolar disorder. BMC Women’s Health, 17(1). http://dx.doi.org/10.1186/s12905-017-0467-y

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